Acompanhando esse processo, o designer Luan Alves de Melo, e a bolsista de graduação em Design Gráfico, Paloma Machado Martin, falam da experiência de elaboração das fichas, apontando para o design como ferramenta de divulgação científica. Paloma lembra que, conforme o próprio senso comum, existe uma ideia de que o design seja algo muito mais ao embelezamento do que à aproximação com o leitor. “Eu sinto que existe uma visão, de forma meio leiga, na nossa sociedade, de que o design é algo muito visual, usado para fazer marcas e logotipos, pra deixar ‘bonito’. Não se fala tanto no design como ferramenta, como forma de traduzir uma informação trabalhando com o verbal, com o visual e com o gráfico. E eu acho que esse caráter social do design é uma das partes mais legais da profissão“.
Esse caráter social é revelado na sua capacidade de promover a democratização do conhecimento e fortalecer a cidadania. No caso das fichas informativas, o design deixa de ser apenas estético para se tornar um processo de mediação entre a linguagem técnica e a vida cotidiana das comunidades. Ao traduzir relatórios extensos em materiais claros, objetivos e visualmente acessíveis, possibilita que moradores de áreas de risco compreendessem informações essenciais para sua realidade, estimulando participação social, tomada de decisão informada e aproximação entre universidade, governo e sociedade.
Luan fala do processo, junto aos demais membros do Lageamb, para reorganizar a grande quantidade de material disponibilizado e, na sequência, oferecer ao público um panorama direto sobre a realidade das comunidades envolvidas no projeto, por meio das fichas. “Pensando principalmente na diagramação, que é parte do layout no design, buscamos um material que fosse visualmente agradável, que não cansasse durante a leitura e que pudesse apresentar as informações da forma mais clara. A gente pensou principalmente na leitura, como e quais informações deveriam aparecer primeiro para quem fosse ler, porque o material é um folder, na verdade, então pensamos nesse caminho, nessa trajetória que o que o leitor iria ter“.
Segundo a representante do Eixo de Comunicação e Participação Social do projeto, Ana Paula Nascimento, a equipe optou por ‘traduzir’ o conteúdo, a partir de recursos visuais, partindo da ideia de comunicação como ‘troca’. “Assim, a população que vive em áreas de risco pode compreender com maior clareza informações que são fundamentais para o seu dia a dia. Essa aproximação torna a comunicação mais efetiva e gera impactos sociais mais significativos, pois coloca o conhecimento ao alcance de quem realmente precisa dele. E esse trabalho só foi possível graças a equipe da Agência Escola UFPR, através do Luan e da Paloma, que souberam transformar o técnico em algo vivo e próximo das pessoas”.