A formação universitária na área de Exatas está passando por uma transformação fundamental: o entendimento de que a engenharia civil não pode caminhar isolada dos impactos ambientais, sociais e climáticos. Um exemplo está no curso de Engenharia Civil, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A disciplina de Engenharia Civil e Sustentabilidade, ministrada no 5º período — exatamente na metade da graduação, foi criada para capacitar os estudantes a encarar os desafios das ciências ambientais na construção civil. Com carga horária de 60 horas, a matéria combina aulas expositivas, debates e projetos práticos de extensão vinculados ao Grupo de Estudos em Geotecnia (Gegeo), que é voltado para a mecânica dos solos e fundações.
A doutora em Geotecnia, professora Roberta Bomfim, que integra o Laboratório de Geoprocessamento e Estudos Ambientais (Lageamb) da UFPR, explica que os alunos desenvolvem soluções técnicas diretamente com a comunidade após realizarem visitas de campo. No primeiro semestre de 2026, por exemplo, a turma realizou uma imersão no Jardim das Graças, em Colombo, cidade da Região Metropolitana de Curitiba. Por láapresentam soluções de drenagem para otimizar o manejo das águas pluviais, conhecidas como jardins de chuva e trincheiras de infiltração, e que podem ser adotadas futuramente. Também desenvolveram soluções para a captação e reaproveitamento de água da chuva com sistemas de cisternas, além de tratamento descentralizado de esgoto, uma alternativa local para o saneamento ambiental.